domingo, 19 de fevereiro de 2012

Ausência


E quando vais e não trazes lembranças de lá
por onde andaste, que terras é que pisaste?

E quando nem voltas, que que é que fazes por lá?

Eu quis tanto te mandar cartas, bilhetes quiçá
mas nem motivos mais que estímulos encontrei
pois só tua presença é que, sinto, me dá alento...

E quando voltas e nem me procuras, que é de mim?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A alma e a ponte


A paisagem inexiste por trás da ponte
que limita e descortina o horizonte
não vi em tempo algum ponte tão bela
mais que a agonia da alma que se rebela

rebelde, a alma não compreende a ponte
que estendendo-se no mar se delimita
apaga-se em dor severa, lamenta e grita:
a alma não quer ver-se aquém do horizonte...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Palavra


esta brasa que me queima
em minha boca
é a palavra qual estilete
que fere, corta e sangra
nervosa, malvada e bruta
mas que, qual lavra de que se cuida
cultivada
ei-la boa, asserenada, rutilante
suavizando na língua a linfa
que era fogo

esta pedra diamante que reluz
de minha boca parte em jato
de pura luz
é a palavra qual cinzel
que esculpe, burila e adorna
gentil, sensata e pura
e qual lavra de que se cuida
aperfeiçoada
ei-la aos céus, criando
junto a Deus esclarecendo
junto aos homens consolando...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Subjuntivo



Conhecêssemos
Deixássemos
Voltássemos
Sorríssemos
Beijássemos
Gostássemos
Amássemos
Ficássemos...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Visita

Gosto quando você me visita em meus sonhos
É quando sonho que você está comigo
Gosto de quando você vem e se aninha
No calor de meu corpo adormecido

Você vem e se insinua, declarando-se
E a noite, de escura se aclara
E a verdade desponta como o sol da manhã

Gosto quando é dia e dessa verdade
Meu dia se faz e se completa
Quando você, desde o sonho, invade-me
E faz de toda a minha vida sua porta aberta...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Natal?


É noite e
um tal efeito me diz
que é Natal
luzes, muito brilho
e uma alma que chora

bocas famintas, rostos tristes
corpos desnudos e
esqueléticos
é Natal

meus olhos passeiam
pela degradada paisagem humana:
moços felizes, casas em festa
e uma indiferente solidão:
todos juntos, ninguém perto
É Natal

meu coração perscruta
outros corações
busca identidade
crianças choram
a pobreza de todo dia
mulheres choram
a indigência cotidiana
homens choram, sem chorar
a amargura de sempre
É Natal

É Natal
e o aniversariante chora
a festa não é dele
não é para ele
não é com ele nem por ele

É Natal?

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Agenda

Hoje é segunda-feira
já tirei segunda via
já preguei na geladeira
o botão da flor do dia...